domingo, 16 de junho de 2013

Sobre os lucros dos empresários



O Amaranto Silva perguntou como eu entendia o lucro. Eu não sou da área de economia, mas acredito que alguns princípios básico são muito evidentes e intuitivos.

Como cada um valora as coisas de uma forma e de acordo com sua situação pessoal, os bens possuem valores diferentes para cada pessoa. Por não terem o mesmo valor para cada pessoa é que é possível que as pessoas troquem bens e serviços entre si vendo ambas as partes vantagem no negócio, essa vantagem pessoal é o que chamo de lucro.

No marxismo as coisas teriam um valor fixo independentemente da pessoa que as valoram, e esse valor é vinculado a quantidade de trabalho necessária para a produção do bem, disso entendem que todo o valor do bem deveria ser embolsado pelo operário envolvido diretamente na sua produção, por isso a parte retida pelo empresário (o "capitalista") não seria justa.

Na realidade não é nada previsível o quanto valoramos as coisas. Você pode achar que uma garrafa de agua não vale 50 reais mas se estivesse no deserto morrendo de sede e eu te oferecesse ela por 500 reais vc provavelente pagaria isto.

O Amaranto disse que isso seria roubo, mas eu digo que só seria um roubo realmente se eu tirasse o seu dinheiro, o que eu estou fazendo é propor uma troca. Você pode fazer ela ou não, eu apenas ofereci pq achei que vc poderia ver vantagem em trocar comigo.

Embora nesse caso eu não ache que vc deveria ser condenado se tentasse roubar minha agua a força, mas se decidisse me dar os 500 reais, foi pq vc achou que o melhor para ti era ter uma agua e não 500 reais naquele momento, de acordo com o valor que você atribuiu subjetivamente a cada uma das duas coisas, uma agua valeu mais do que 500 reais, justamente por ser um bem essencial e escasso nesse ambiente.

Se eu tenho um real, vou na padaria e troco por um pão, eu preferi ter um pão a ter 1 real, o padeiro preferiu ter meu 1 real e não ter mais o pão, ambos estão vendo vantagem em fazer essa troca. A mesma lógica vale para a venda do pão e vale para a venda de uma multinacional, isso é básico para entender o mercado livre baseado em trocas voluntárias. Por ser voluntária, as duas partes precisam estar convictas de que há uma vantagem pessoal em realizá-la, do contrário não a fariam.

Essa discussão na verdade começou porque ele disse que o Estado não visa o lucro, com o que discordo. Porque você acha que alguém presta um concurso público? Pelo mesmo motivo que alguém aceita qualquer trabalho, um interesse pessoal de trocar força de trabalho por dinheiro. O governo é composto como pessoas que, como eu e você, estamos neste mundo buscando seus desejos pessoais.

O lucro do empresário é tão justo como qualquer outro, é ele que organiza os fatores de produção de acordo com o interesse de conquistar os consumidores do mercado em que atua e assume os riscos do empreendimento.

Além disso o mercado tem mecanismos naturais para equilibrar os lucros. Se um setor dá muito lucro ele chama mais empresários, com o aumento da oferta o preço do bem ou serviço baixa e o lucro diminui.

Isso claro se não tiver o governo no meio protegendo os empresários da competição com seus monopólios, como há no caso do transporte público.


Fonte de Consulta:

Economia Numa Única Lição CAPÍTULO XXII - A função dos lucros

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