domingo, 13 de abril de 2014

O Nazismo como um socialismo de direita


Uma discussão espinhosa surge quando se pretende classificar o nazismo como esquerda ou direita. Direitistas ávidos vão dizer que ele é de extrema esquerda, salientando os aspectos estatizantes deste regime, já socialistas vão colocá-los, na direita, de preferência na extrema direita, frisando a perseguição que Hitler fez aos comunistas e sociaisdemocratas. O fato é que o Nazismo é a ideologia mais mal vista da atualidade, é um filho que ninguém quer assumir, ninguém quer estar perto dele, por que isso pega muito mal.

Adolf Hitler escreveu muito sobre Marxismo na sua obra Mein Kamp. Geralmente para desdenhá-lo. Mas ao mesmo tempo Hitler mostra que desde cedo estudou o socialismo de Marx e é a partir das ideias de Marx que ele passa construir a Nacional Socialismo, mesmo que negando-o. O Mein Kampf é tanto uma critica do socialismo marxista quanto uma apresentação do nacional socialismo, e principalmente, um esforço de Hitler para diferenciá-lo um do outro. Esta grande necessidade de delimitar diferenças se devia justamente ao fato de eles parecerem muito semelhantes e competirem pelo mesmo público-alvo: os trabalhadores alemães. A posição de Hitler no Mein Kampf lembra a de qualquer publicitário tentando convencer o público de que o seu produto é melhor do que o da concorrência.

Mas em certas partes ele reconhece parcialmente que sua tese não se diferenciaria do socialismo marxista não fosse alguns pontos chave:
A concepção racista deve ser completamente diferenciada, desde que aquela reconhece o valor da raça, como o do próprio indivíduo, duas colunas sobre que deve repousar todo o edifício. Esses são fatores básicos na sua maneira de mudar o mundo.

Se o movimento nacional-socialista não compreendesse a importância fundamental dessa verdade mas, ao contrário, em vez disso procurasse por remendos ao Estado atual e visse no ponto de vista das massas um ponto de vista seu próprio, transformar-se-ia em um partido de concorrência ao marxismo. Não teria então o direito de falar em uma nova doutrina (grifo meu)
Hitler demarca aqui as diferenças entre seu socialismo e o de Marx, o primeiro é não destacar a vontade do coletivo, de fato Hitler deixa muito claro que queria o poder e que a vontade do governante deveria prevalecer.

Em segundo, um fator para diferenciar o socialismo de Marx do de Hitler é o nacionalismo deste último, que já fica expresso no seu nome (nacional socialismo). Hitler abominava o internacionalismo do socialismo marxista, que considerava uma armadilha para acabar com a identidade do seu povo e permitir o domínio dos judeus.  Essa mescla de nacionalismo com socialismo não era ideia original sua, Stalin já havia feito a mesma coisa dentro do socialismo soviético nesta época, entrando com isso em conflito com os socialistas internacionalistas do partido comunista, como Trotsky e Bakurin.

Por último e talvez mais importante, o nazismo substituiu a luta de classes pelo racismo. No marxismo o bode expiatório para os problemas do mundo eram os "burgueses",  no nazismo eram os "judeus" e demais estrangeiros. A mudança do bode expiatório é um detalhe que não muda o enredo básico destas doutrinas: nós não somos culpados pelos nossos problemas, mas sim um terceiro grupo, e por isso devemos nos unir para enfrentar esse inimigo comum. O efeito psicológico disso é "agora não precisamos mais nos sentir responsáveis pela nossa miseria, pois na verdade a culpa não é nossa, mas desses desgraçados que estão nos roubando/explorando, sem eles nós seriamos grandes, por isso precisamos eliminá-los".

Do ponto de vista econômico guardavam grandes semelhanças, sobre estas vou apenas indicar este artigo que as explica muito bem: Por que o nazismo era socialismo e por que o socialismo é totalitário.

Não nego que o nazismo era de direta, ele é justamente uma releitura de direita do socialismo. Socialismo era algo muito, muito pop nesta época, a direta acabou cedendo à ele também.
"Face à derrota na I Guerra Mundial e à crise social e política que se seguiu, surge um grupo de intelectuais identificado como a "Revolução Conservadora" (Moeller van den Bruck, Ernst Junger, Edgar Jung, Oswald Spengler, etc.), radicalmente opostos ao novo regime parlamentar-liberal e ao Tratado de Versalhes e defendendo uma síntese entre o conservadorismo e o socialismo6 - um "socialismo alemão" que, ao contrário do marxista, não se basearia no materialismo e na luta de classes, mas sim na solidariedade entre as classes e nas tradições prussianas de disciplina e autoridade (aliás, já antes Bismark havia tentado conciliar o conservadorismo com as reivindicações sociais, com politicas que deram inicio ao Estado de Bem-Estar, ver: Modernização conservadora)." http://pt.wikipedia.org/wiki/Conservadorismo
Concluo que o Nazismo foi resultado da obra de uma vanguarda direitista que, temendo os efeitos da imigração sobre o seu status quo e convencido de que a nova doutrina economica que se espalhava pela Europa, o socialismo, representava o futuro e, temerosos que esta fosse implantada pela esquerda socialista tradicional, o que representaria uma ameaça ao seu status quo, fundaram um socialismo de direita,  um socialismo que não fosse revolucionário mas que, pelo contrário, que representasse o engessamento das estruturas sociais em favor dos alemães, impedindo a ascensão do que eles consideravam uma ameaça à este status quo, os imigrantes.

Por fim agradeço ao blog questões relevantes, que participou desta discussão.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Direito de morrer

A primeira propriedade que um humano usufrui é a de seu corpo e sua vida. A escravidão é a forma de roubo mais horrível porque trata-se de uma pessoa apropriar-se do bem mais precioso de outra pessoa, que é a própria pessoa.


O direito a vida hoje no entanto não é visto como um direito, mas como uma obrigação. Não sentimos a diferença entre um e outro porque no geral gostamos de viver, então não é nenhum sacrifício cumprir com esta obrigação.


A diferença torna-se clara quando alguém por qualquer razão não deseja mais viver. Há muitas pessoas que sofrem de doenças terminais ou que sabem que irão sofrer delas, como este atleta, e confrontam-se coma realidade de que não terão a capacidade de abrir mão do seu direito à vida quando desejarem, pelo que serão condenados a definhar lentamente em condições degradantes.


O direito a vida deve incluir o direito de decidir pelo fim dela. Em alguns países de primeiro mundo isto já é aceito, aqui a discussão praticamente não existe, infelizmente.

Pela verdadeira privatização da telefonia

Há um mito espalhado pela internet sobre a "privatização" das empresas de telefonia ocorrida na década de 90 que pinta o ocorrido como "a vitória do liberalismo",  geralmente por quem a critica:

 Os efeitos do liberalismo econômico na telefonia móvel de Pernambuco 
 Heranças da privataria e do liberalismo nas teles e sua gestão

O que existia antes da chamada privatização era a existência de empresas estaduais vinculadas ao sistema Telebrás e que dividiam o território nacional como feudos, operando cada uma em um território com seu monopólio. Este sistema foi criado durante a ditadura e não é difícil imaginar porque a ditadura quis que só pudessemos utilizar telefones do governo. 


Nos tempos da ditadura militar, o grampo tornou-se uma prática recorrente, adotada pela arapongagem oficial para bisbilhotar a vida de adversários políticos do regime.- Fonte

Como não tínhamos nenhuma opção de escolha entre empresas, elas não tinham incentivo para buscar qualidade nos serviços. Neste tempo ter um telefone fixo era coisa de rico. Quando eu era criança caminhava meia hora com minha mãe até o telefone público mais pŕoximo, aguardava na fila torcendo para que as pessoas da frente não fossem falar muito para finalmente fazer a gloriosa ligação.


Então o governo na época anunciou que iria privatizar o sistema Telebras, encontrou enorme resistência na esquerda. Sim, aquele que foram perseguidos e torturados pela ditadura militar foram os que não queriam se desfazer da máquina de vigilância da população herdada da ditadura. 


Sob esta pretensa abertura de mercado o governo FHC leiloou as empresas do grupo Telebras, mas já no leilão viu-se que por mais que o governo deixasse de ser dono das empresas, não estava nos seus planos deixar de mandar no mercado, tentando escolher a dedo que iria vencer os leilões

Em 1997 foi criada a ANATEL para fortalecer o papel regulador do Estado, nos termos da lei. 
        Art. 1° Compete à União, por intermédio do órgão regulador e nos termos das políticas estabelecidas pelos Poderes Executivo e Legislativo, organizar a exploração dos serviços de telecomunicações.

        Parágrafo único. A organização inclui, entre outros aspectos, o disciplinamento e a fiscalização da execução, comercialização e uso dos serviços e da implantação e funcionamento de redes de telecomunicações, bem como da utilização dos recursos de órbita e espectro de radiofreqüências.
Como se vê o gerentão da telefonia no Brasil é o governo, ele autoriza o que pode ser vendido, por quanto pode ser vendido, por quem pode vendido...

Quando o Estado tem este tipo de poder é cercado de lobbystas que desejam que este poder seja utilizado de forma que os beneficie. Neste jogo quem se dá bem é o grande empresário que pode bancar boas conexões com o governo. Um dos grandes interesses destes empresários é que não haja competição. Eles batem descaradamente na porta do governo para pedir proteção e em troca recebem bilhões de reais do governo, dinheiro arrecadado de impostos, dinheiro do povo, transferido do bolso das pessoas, principalmente do pobres, para a mão dos empresários.

A telefonia é mais um exemplo de mercado fortemente regulado no sentido de impedir o estabelecimento de competição, embora exista um pouco de competição, que já a tornou melhor do que na época em que era um monopólio do governo.

Quando na Guatemala eles desejaram privatizar o seu sistema de telecomunicações, o Banco Mundial exigiu uma série de condições semelhantes às que fizeram aqui, eles simplesmente disseram que não, e criaram um livre mercado com competição de verdade:

 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Deus vai morrer, a religião, contudo, sobreviverá

A evolução da sociedade a leva para caminhos que seriam impensáveis para as gerações anteriores. É muito comum ouvir de pessoas que elas não acreditam em religiões, mas apenas em Deus. As religiões na Europa estão fazendo exatamente o oposto, negando Deus para manter suas Igrejas funcionando.
Um estudo da Universidade Livre de Amsterdam relatou que um a cada seis clérigos na Igreja Protestante holandesa são agnósticos ou ateus.

Um professor dessa universidade, Stoeffels Hijme, acredita que esse tipo de discurso pode ajudar o cristianismo a permanecer “competitivo no mercado de ideias”, ele diz que somente se reinventando é que a religião conseguirá sobreviver por muito mais tempo.
 Fonte: Gospel Prime

Eu penso que eles estão no caminho certo. Na sociedade de hoje as pessoas não tem mais tantosw freios morais para questionar verddes absolutas que lhe são impostas. Certos discursos religiosos que impõem que as coisas são assim porque "Deus quis" já não satisfazem nossa necessidade de respostas.

Para não morrer, a religião se reinventará, terá que abrir mão do que ficou obsoleto, inclusive Deus.

Por mais que isso pareça absurdo para quem carrega valores religiosos tradicionais, creio que este é um caminho promissor, na verdade Deus não é tão importante par aa religião quanto parece à primeira vista. Em primeiro lugar porque no mundo contemporâneo as pessoas se permitem ter fé em Deus sem ter uma relgiião, como já dito.

Em segundo, porque as pessoas que frequentam comunidades religiosas não buscam necessariamente um contato com Deus. Muitos só querem pertencer àquele circulo social e ouvir mensagens motivacionais que lhe tragam mais ânimo para encarar a vida, e para isso um Deus não é tão  necessário.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Olavo de Carvalho




Eu quero compartilhar a insatisfação do professor Rodrigo Augusto Prando:



Tenho nos últimos tempos, me impressionado com a qualidade do debate de ideias no Brasil. Em verdade, da falta de qualidade ou o que é pior, da ausência de um debate sério e fundamentado. Não faz muito tempo, dois professores – Demétrio Magnoli e Luiz Felipe Pondé – foram, na Festa Literária Internacional de Cachoeira, impedidos, por um grupo de cerca de 30 indivíduos, de falar, de apresentar suas ideias. Outro episódio que merece destaque foi o da jornalista Miriam Leitão que, em artigo publicado, fez referência a outros dois articulistas frequentes na mídia: Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino.


Nesta seara de personagens, podemos sem problemas incluir nomes como Marilena Chauí, Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi, entre tantos outros. Alguns estão à direita ou à esquerda do espectro político, podem ser liberais, conservadores ou mesmo reacionários. O que há em comum entre eles? Todos têm sido alvos das mais variadas formas de violências sejam simbólicas ou até mesmo físicas. Estamos diante de uma realidade empobrecedora do diálogo, da discussão de ideias, da argumentação pautada em fatos, enfim, de uma boa análise crítica. Tem sido comum a agressividade. São agressivos os indivíduos conectados em rede e são agressivos os grupos que, presencialmente, querem impedir que o “outro” possa expor suas ideias.


O que me preocupa no Sr. Olavo é que ele é lider de um grupo de ódio anticomunista. Bom, a história diz que quando esses grupos tomam força trazem uma ditadura consigo, uma ditadura necessária para nos salvar dos comunistas.

A criação de um inimigo genérico e impreciso a ser combatido é das desculpas mais antigas para justificar-se ditaduras. Os socialistas soviéticos precisavam enfrentar a "burguesia", os nazistas precisavam enfrentar os judeus, e nossos ditadores positivistas precisavam combater o comunismo. Os autoritarismos podem mudar de ideologia mas no fundo não são tão diferentes....


Ok, eu ja li coisas boas nos textos do Olavo de Carvalho, mas isso não significa serem ideias originais dele. O fato é que Olavo bebeu em boas fontes como Mises e Locke mas esta sua herança encontra-se bastante distorcida por teorias da conspiração e valores puramente religiosos.

A leitura de Mises é infinitamente mais gratificante.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Médicos cubanos e hipocrisia



Não vou nem comentar as teorias da conspiração feitas em cima do fato dos médicos cubanos serem comunistas, mas quero dar meus dois centavos sobre Cuba:

- Primeiro, aos que louvam o socialismo cubano, lembro que Cuba já não é mais um estado socialista no sentido que pensamos no socialismo de Mao ou Stalin,  até a propriedade privada privada já é permitida por lá.

- Depois, aos que estão adorando as atitudes do governo, vou lembrar que o governo mais o CFM adoram criar reserva de mercado para os médicos, que o próprio governo tentou suspender a abertura de cursos de medicina por 10 anos, em resumo, é o grande responsável pela falta de médicos do país, juntamente com  o Conselho Federal de Medicina;

- Aos que odeiam Cuba: A história mostra que os regimes socialistas caem pela própria incapacidade de gerir os recursos e pela fuga das melhores mentes do país, que são os explorados economicamente desse sistema. O que nos podemos fazer é ajudar as pessoas que queiram sair do país a faze-lo, pois na verdade o problema desse regime não é o socialismo propriamente dito, mas a adesão obrigatória ao sistema, ou seja, um autoritarismo. Se estes médicos estão satisfeitos com o que têm, eu não tenho  a menor autoridade para dizer como eles devem viver suas vidas.

- Por fim, aos que estão reclamando do governo Cubano ficar com a maior parte da remuneração destes médicos (e cada fonte fala de uma porcentagem diferente): quanto é que um trabalhador brasileiro que ganha 10 mil reais por mês tem que pagar de impostos ao governo? Bom se a empresa gastar 10 mil reais, depois dos impostos o salário bruto do empregado vai ser de mais ou menos R$ 6550,00, mas esse empregado vai pagar 720 de INSS, e vai pagar mais 910 reais de imposto de renda, então vai embolsar mesmo R$ 4920,00, e quando for gastar esse dinheiro vai pagar impostos embutidos em qualquer palito de dente. Moral da história: os que ficam bancando de capitalistas para os cubanos são um bando de hipócritas, nosso país está muito longe de dar lição de moral sobre capitalismo para alguém.





Como ser autoritário e parecer bonzinho

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/maconha-faz-mal-sim-quem-afirma-e-a-medicina/

Observem a lógica oculta do discurso: algo é ruim para sua saúde, então se você faz isso então eu posso te obrigar a não fazer isso.

O problema novamente não é a pessoa em questão ser contra o uso de maconha, mas sim ela ser autoritária, ela acreditar que por sabe-se lá quem iluminação divina, ela tem legitimidade para mandar na vida particular dos outros.

Particularmente eu vejo algum motivo para um a pessoa apoiar a atual politica de drogas:

- A pessoa pode ser um traficante que prosperou no mercado ilegal por meio da força e da corrupção de autoridades;

- Pode ser talvez uma autoridade corrupta que ganha muito dinheiro de "arrego";

- Pode ser alguém que trabalha no sistema judiciário penal que depende desses crimes para garantir seu emprego;

Mas se não for nada disso, só pode ser um idiota mesmo.